A concretização do Plano de Requalificação dos Bairros Municipais (PRBM) passou pelo levantamento criterioso do estado de conservação dos Bairros Municipais o que permitiu
aferir, com rigor, as patologias existentes, as medidas de mitigação a par da análise do desempenho energético destas pré-existências com o foco dado ao fogo municipal.
A análise do estado de conservação do edificado permitiu desenvolver uma metodologia de intervenção estruturando-a em quatro níveis de intervenção, estrategicamente, desenhados para que as requalificações possam ser efectuadas com a
manutenção dos moradores nas suas casas, potenciando o investimento no incremento de soluções que permitam um maior conforto e qualidade de vida aos moradores.
Deste modo, o Nível 1 consiste na requalificação da envolvente construtiva do edifício: paredes e coberturas; o Nível 2 aborda a re-infraestruturação das zonas comuns – em
interiores: átrios, escadas, portas de entrada nos edifícios, caixas de correio, iluminação, etc; em exteriores: muros, portões de entrada e iluminação exterior – com a particularidade de não se intervir no fogo; o Nível 4, é a
actuação sobre o Bairro como um todo, incluindo a requalificação do espaço público, considerando a integração urbana e as questões de mobilidade e acessibilidade, e este, onde o conjunto visa um desenvolvimento harmonioso, estável e
coeso de toda a nossa comunidade, intenção que está em linha com os principais objectivos de desenvolvimento sustentável, patentes na Agenda 2030 e que pretendem ser concretizados no concelho.
Nível 1: Reparação exterior – telhados, cobertura e paredes exteriores. É intenção bloquear a vulnerabilidade do edifício face aos agentes exteriores.
Nível 2: Reparação dos espaços interiores comuns – núcleos de escadas, portas de entrada nos edifícios, iluminação comum, campanhas.
Nível 3: Reparação exterior e requalificação do espaço público do Bairro como um todo após a intervenção do Nível 2.
Nível 4: Integração das questões arquitectónicas, ambientais e de mobilidade no âmbito público do Bairro com foco no desenvolvimento sustentável de toda a comunidade.
Nesta 4 escalas, a par de um levantamento das patologias dominantes e específicas, pretende-se não só repor as condições de habitabilidade, mas elevar o conforto e a qualidade do edificado, nomeadamente introduzindo critérios de
sustentabilidade ambiental e de eficiência energética, tendo em vista o prolongamento da sua vida útil e a qualidade de vida dos seus moradores, em sintonia com os critérios da componente 02 – Habitação – PRR.
A intervenção que se pretende desencadear para além da correcção das situações identificadas ao nível do diagnóstico do estado de conservação aposta no olhar crítico sobre algumas opções arquitectónicas que o tempo foi mostrando
inadequadas e não assimiladas pelos moradores. A experiência diz-nos que não vale a pena insistir no erro. É preciso inovar e este é o momento.
As intervenções a realizar deverão ser orientadas para a necessidade de garantir a eficácia física e funcional dos espaços, identificando e desenvolvendo, para cada fogo e para cada bairro uma estratégia de intervenção adequada
mantendo a preocupação com a utilização de soluções que permitam uma utilização mais eficiente dos recursos económicos, humanos e naturais, inserindo-se numa estratégia de desenvolvimento sustentável, em sintonia com as certificações
ambiental, de eficiência energética e de custos controlados que a tempo foram sendo exigidas à Administração Pública e à contratação do Município e Fundos Europeus.